Perda de hortifruti: por que ela é diferente da perda por validade
É comum um supermercado tentar controlar a perda de FLV com a mesma lógica usada para o resto da loja: uma data de vencimento, um alerta por dias restantes. O problema é que frutas, legumes e verduras não vêm com uma data de validade impressa em lugar nenhum — elas deterioram de forma gradual, influenciada por manuseio, temperatura e tempo de exposição, sem um ponto único e previsível de “vencimento”.
Por que forçar a lógica de validade não funciona
Quando um sistema tenta aplicar “dias até vencer” num produto que não tem data de vencimento, alguém precisa inventar essa data — geralmente uma estimativa genérica por categoria (“banana dura X dias”), que ignora completamente as condições reais daquele lote específico, daquela loja, daquele clima. O resultado é um alerta que não reflete a realidade: ou dispara cedo demais (o produto ainda estava bom) ou tarde demais (já tinha estragado havia dias).
O registro certo: evento de deterioração, não data prevista
A alternativa que funciona de verdade é inverter a lógica: em vez de prever quando vai deteriorar, registrar quando a deterioração de fato aconteceu. Isso muda o dado de uma previsão incerta para um fato observado — o operador vê o produto, identifica que não está mais em condição de venda, e registra ali, na hora, por peso (kg) ou por unidade, dependendo do produto.
Essa distinção entre peso e unidade importa mais do que parece: uma perda de “12 kg de tomate” e uma perda de “5 unidades de alface” são medidas diferentes que nunca deveriam ser somadas na mesma métrica — fazer isso distorce qualquer análise de quanto realmente se perde em cada categoria.
O que esse registro permite enxergar
Com o evento de deterioração registrado de forma consistente — produto, peso ou unidade, filial, data — passa a ser possível comparar: um produto que perde sistematicamente mais numa loja do que em outra pode apontar para um problema de reposição ou de exposição na gôndola daquela filial específica, não do produto em si. Sem esse dado, essa diferença fica invisível — cada loja “sabe” que perde hortifruti, mas ninguém consegue comparar ou investigar o porquê.
Veja como esse registro funciona na prática em perdas de FLV e hortifruti.